pavilhão carambó

ficha técnica

local joanópolis, sp
data do início do projeto 2001
data da conclusão da obra 2002
área da fazenda 101,64 ha
área construída 150,00 m²
arquitetura una arquitetos; cristiane muniz, fábio valentim, fernanda barbara, fernando viégas (autores) marcus vinícius barreto lima (co-autor) camila lisboa, guilherme petrella, mariana alves de souza (colaboradores)
construção sylvio iasi junior
luminotecnia ricardo heder
fotografias bebete viégas

Este pavilhão de lazer foi construído na Fazenda Carambó, localizada na divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais, próxima à cidade de Joanópolis. A Fazenda situa-se a 1000 metros de altitude, na Serra da Mantiqueira.

A Fazenda está inserida num grande vale para pastagens cujas montanhas circundantes são forradas no topo por mata nativa. Existia já uma casa, construída sobre um platô na cota intermediária entre a cumeeira e o fundo do vale. Esta casa é uma reconstrução de um antigo casarão do bairro do Lopo, parada de tropeiros no século XIX, que ia ser demolido.

Partindo da casa principal, implantou-se o novo pavilhão perpendicularmente a esta. A construção foi disposta como uma grande varanda, protegida do sol e dos ventos fortes. Através da relação com os elementos existentes - morro, casa, muros, capelinha, caminhos -, o pavilhão reorganiza a paisagem como um todo.

Como opção de projeto foram escolhidos materiais e mão-de-obra do local. Assim na construção do projeto utilizou-se madeira, pedra, tijolos e telhas de barro e os próprios funcionários da Fazenda executaram a obra.

O Eucalipto Citrodora, cultivado no lugar, foi usado no sistema estrutural e recebeu tratamento de autoclavagem, cuja proteção é periférica. As peças foram aproveitadas mantendo sua integridade física: não houve cortes ou cunhas, para não expor o cerne da madeira. As ligações entre as peças de madeira são asseguradas por cantoneiras de aço.

Pedras, blocos de granito, são encontradas soltas no pasto: os muros de arrimo eram utilizados corriqueiramente pelos funcionários da Fazenda. Estes foram reutilizados no desenho do novo pavilhão, subvertendo a idéia original de contenção de terra e tornando-os elementos que configuram o espaço.

O solo permite a extração de barro com qualidade para a fabricação de tijolos. Estes foram cozidos em olaria própria, especialmente para a obra. As telhas caipiras utilizadas na cobertura são provenientes de outras construções da fazenda, já demolidas.

Implantado sobre um novo platô, o volume do pavilhão se projeta em balanço sobre o pasto, revelando a inclinação sutil do terreno. Quatro painéis de correr permitem a abertura total do espaço sobre a paisagem; seu fechamento é constituído por ripados de ipê para controle da incidência solar.

Um grande piso de tijolos atravessa o pavilhão, ligando as piscinas a um pátio. Este pátio, protegido dos ventos, é formado por um espelho d’água e uma árvore flamboyant, transplantada do pasto. Nos muros altos de pedra, duas aberturas aproximam a capelinha e a estrada. Estes muros direcionam a vista para o topo dos morros; o terreiro de tijolos, por sua vez, abre-se para o vale.