maria antonia | iac

ficha técnica

local são paulo, sp
data do início do projeto 2002
área total 6.198,68m²
arquitetura cristiane muniz, fábio valentim, fernanda barbara, fernando viégas (autores) ana paula de castro, andré ciampi, apoena amaral e almeida, camila lisboa, clóvis cunha, fernanda neiva, felipe noto, guilherme petrella, henrique bustamante, jimmy liendo, josé baravelli, josé carlos silveira júnior, pablo hereñu, roberto galvão jr., sílio almeida (colaboradores)
construção gafisa / lk2
estrutura de concreto frança & associados engenharia
estrutura metálica engebrat consultores, engenharia e projetos
fundações engenheiros associados consultrix
sondagem geoplano serviços técnicos ltda
instalações prediais projetar engenharia e projetos
levantamento planialtimétrico e cadastral etagri serviços de engenharia e construções
climatização thermoplan engenharia térmica
acústica e conforto térmico ambiental s/c ltda
cenotecnia j. c. serroni criações visuais
luminitecnia ricardo heder
consultoria em conservação gedley belchior braga
paisagismo sakae ishi
modelo eletrônico clóvis cunha
fotografias bebete viégas

Centro Universitário Maria Antonia | Instituto de Arte Contemporânea

A rua Maria Antônia é uma referência na história da USP e um marco na vida cultural e política da cidade. Endereço do Colégio Mackenzie desde o final do sec. XIX torna-se catalisadora de discussões acadêmicas e sociais com a instalação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras no edifício Rui Barbosa em 1949.
Após a violenta invasão do edifício por um grupo de estudantes de direita, acompanhado pela polícia, em 1968, a Faculdade de Filosofia foi transferida para a Cidade Universitária.
A relevância desses acontecimentos definiu o desejo de se preservar o edifício Rui Barbosa, construção principal do conjunto, embora considerado destituído de particular valor arquitetônico pelo próprio CONDEPHAAT.

O projeto de reforma e restauro procura adaptar o conjunto ao novo uso, um núcleo de arte contemporânea que aglutina o Centro Universitário Maria Antônia (CEUMA), o Teatro da USP e o Instituto de Arte Contemporânea (IAC) e tem como questão central afirmar o caráter público que historicamente marcou esse patrimônio da USP.

A proposta inclui o restauro das fachadas principais e mantém intacta a volumetria dos edifícios Rui Barbosa e Joaquim Nabuco, mas propõe uma nova relação do conjunto com a cidade. A área livre entre os dois prédios ganha a dimensão de espaço público, uma pequena praça.

No nível da rua, essa praça é o alargamento natural da calçada e configura um acesso convidativo ao conjunto. No nível inferior, um pátio arborizado realiza a conexão entre os dois edifícios, criando, para o teatro, um lugar de apresentações ao ar livre.

Requalificar os espaços livres, oferecendo uma ligação generosa do conjunto com a cidade, é a contribuição do projeto para a memória do movimento acadêmico, cultural e político que teve sede à rua Maria Antônia.
O edifício Rui Barbosa

A proposta de intervenção para este edifício valoriza a continuidade espacial no interior do prédio, inexistente em seu uso original (sede do Liceu Rio Branco e residência do diretor).
O edifício abrigará diversas atividades didáticas: cursos, seminários, oficinas de gravura, fotografia, desenho e pintura, aprimorando a programação que já vem sendo desenvolvida. O Teatro da USP continuará ocupando o subsolo; imaginou-se um teatro flexível, com diversas configurações para montagem de espetáculos.
Um novo sistema de circulação foi proposto mantendo as duas alternativas atuais de acesso ao teatro: pelo ed. Rui Barbosa e pela praça. Uma nova torre de circulação vertical foi prevista, com elevador e escada de segurança.
O edifício Joaquim Nabuco

As intervenções neste edifício, na área envoltória de tombamento do ed. Rui Barbosa, buscam adaptá-lo ao uso como espaço expositivo. No térreo estão as salas de exposição temporária e no primeiro andar, salas de exposição, de pesquisa e catalogação do acervo do IAC. O nível inferior será ocupado por depósito e reserva técnica, além do café e sala de concertos.
O projeto mantém a organização espacial do prédio, caracterizada por uma escada central e três salões de tamanhos distintos. O salão maior não possui laje, tanto no térreo como no primeiro pavimento; seu piso é constituído de barrotes e assoalho de madeira, totalmente comprometido pela ação de fungos e cupins. Essa estrutura será substituída por peças metálicas e laje de concreto, dimensionada de acordo com seu novo uso, possibilitando exposição de esculturas. Como conseqüência, a fachada lateral, absolutamente inexpressiva, passa a revelar essa intervenção e requalifica o plano que se volta ao novo espaço público.