estação são miguel paulista

ficha técnica

local são paulo, sp

projeto básico 2004
arquitetura una arquitetos: cristiane muniz, fábio valentim, fernanda barbara, fernando viégas (autores) pablo hereñu, fernanda neiva, fernanda palmieri (colaboradores)
gerenciamento vetec / trends
estrutura ápice engenharia de projetos
hidráulica nestor caiuby
elétrica pascoal d’aprile
comunicação visual visart
paisagismo ricardo vianna

projeto executivo 2010
arquitetura una arquitetos: cristiane muniz, fábio valentim, fernanda barbara, fernando viégas (autores) ana paula de castro, eduardo martorelli, fabiana cyon, miguel muralha, roberto galvão jr., sílio almeida (colaboradores)
gerenciamento e construção consórcio tsleste
estrutura prca engenharia
hidráulica nestor caiuby
elétrica pascoal d’aprile
comunicação visual cauduro associados

O projeto da nova estação São Miguel Paulista faz parte da modernização do sistema da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos que pretende funcionar como um metrô de superfície, atualizando a qualidade dos serviços e intervalos entre trens. A estação pertence à Linha 12, antiga linha F, que margeia as várzeas do Rio Tietê, na Zona Leste da metrópole.

A nova localização procura se aproximar da Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra, conhecida como Praça do Forró, importante espaço público da região, potencializando seu entorno e combinando a enorme demanda por travessia livre sobre a linha férrea.

A Praça do Forró, reformada recentemente, possui o templo religioso mais antigo da cidade de São Paulo: a Capela de São Miguel Arcanjo.

A primeira construção é de 1560, conduzida por José de Anchieta; foi refeita em 1622 pelo padre João Álvares e pelo carpinteiro e bandeirante Fernão Munhoz. Em 1938, a capela foi tombada pelo Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), e restaurada pelo seu antigo diretor, o arquiteto Luis Saia, entre 1939 e 1940.

A posição geográfica de São Miguel contribuiu para caracterizar a região, desde a ocupação jesuíta, como ponto de paragem e defesa do “Pátio do Colégio”. Atualmente o centro do distrito de São Miguel é um importante pólo comercial e de serviços da região. A posição privilegiada da Capela, entretanto, vem sendo comprometida pelos imóveis construídos no entorno, que impedem a vista da várzea e, consequentemente, anulam a presença do monumento na paisagem. Essas construções transformam a faixa ferroviária em fundos da cidade. O projeto propõe uma reversão desta situação.

A nova edificação surge da abertura de uma ampla praça de acesso, ligação entre a Capela e a Estação, onde se encontram os acessos principais, bicicletários e jardins. Esse belvedere é possível a partir da desapropriação de duas construções, e poderá restabelecer a relação entre o novo equipamento público e a paisagem de São Miguel. A ferrovia como porta de entrada ao bairro.


A transposição da faixa ferroviária se dará através de passarelas públicas. Aproveitando o desnível existente no terreno, o acesso sul é feito através da passagem em continuidade com a cidade, na mesma cota da nova praça. Abaixo desta foi possível localizar o bicicletário, com entrada pela rua lateral. O público pode atravessar a estação pelo acesso às bilheterias e descer ao lado da Indústria Nitroquímica, através de um edifício em concreto aparente com escadas rolantes, escadas fixas e elevador. O eixo diagonal da passagem em relação ao corpo principal da estação reforça a referência à Capela, além de liberar a vista da praça em direção à Várzea do Tietê.

As salas técnicas têm acesso independente, pela Rua Salvador de Medeiros, e se abrem para o pátio de estacionamento. A torre para o reservatório de água, também nesse pátio, interliga a área operacional e a área técnica.

A nova estação será erguida sem afetar a operação dos trens, portanto a estratégia de construção foi a utilização de estrutura metálica. A nova posição também contribuiu para esta operação, deslocando-a sentido oeste, fugindo da estação existente.

O partido estrutural consiste numa seqüência de pórticos metálicos que penduram o mezanino, e que são interligados por vigas treliçadas, com vãos de 24 metros.

O fechamento exterior é constituído por telhas metálicas perfuradas, em liga de alumínio e zinco, permitindo transparência para o interior durante o dia, e transformando-o em caixa de luz, à noite. Na cobertura, linhas de telhas translúcidas nas cumeeiras reforçam a iluminação natural do espaço central. Os pilares afloram em concreto aparente, uma peça metálica na cabeça faz a ligação com a estrutura superior. No nível do mezanino há um travamento horizontal da estrutura e um passadiço técnico para manutenção da rede aérea e limpeza dos vidros do mezanino.

A cobertura do edifício terá 192 metros de comprimento, na escala dos equipamentos industriais da região.