casa ateliê

ficha técnica

local são paulo, sp
data do início do projeto 2001
data da conclusão da obra 2002
arquitetura cristiane muniz, fábio valentim, fernanda barbara (autores) guilherme petrella, mariana alves de souza, márcio wanderley, sabrina lapyda (colaboradores)
construção joão pacheco chaves estrutura de concreto
estrutura kurkdjian & fruchtengarten engenheiros associados
fundações engeos engenharia e geotecnia s/c ltda
instalações caiuby projetos e serviços de engenharia
movimentação de solo spt engenharia de solos, fundações e terraplenagem
levantamento cadastral etagri – serviços de engenharia e construções
modelo eletrônico clóvis cunha
fotos da maquete bebete viégas

Este projeto para uma casa-atelier em São Paulo permitiu uma investigação sobre a relação do espaço de trabalho com o espaço doméstico. A construção foi pensada como um único edifício que se desenvolve numa seqüência alternada de espaços abertos e fechados, com pé-direito simples e duplo, com pátios em forma de terraço ou no nível do solo.

O programa se divide em três espaços principais: o galpão de trabalho, o apartamento do artista e um estúdio para hóspedes. O fato deste artista, engenheiro de formação, trabalhar num campo entre arte e tecnologia, sugeriu uma construção formalmente simples, expressiva no uso dos materiais e sobretudo precisa em sua definição construtiva. O uso do concreto branco e do aço na estrutura foi a solução que melhor expressou essas aspirações. O projeto se caracteriza pelos dois cubos de concreto branco soltos das divisas e uma construção envoltória (em estrutura convencional revestida) que acomoda programas de apoio. Estes cubos se apóiam em quatro cortinas de concreto cujo desenho revela as reais espessuras em função dos esforços estruturais. A utilização de lajes invertidas gerou uma superfície de concreto contínua, livre de vigas, forros e juntas de acabamento.

A entrada da casa é feita pela lateral, de forma quase independente da área de trabalho. O galpão ocupa o térreo da construção, e o desnível interno que o acomoda à topografia permite uma doca de carregamento. Uma talha deslizante percorre toda a extensão do galpão, facilitando o transporte de grandes peças. As quatro paredes de concreto aparente são protegidas internamente por painéis de tábua de pinho, que servem como anteparo e superfície de trabalho. Um passadiço metálico, com acesso direto pelo mezanino, envolve a área de trabalho e concentra instalações elétricas, hidráulicas, gás e ar comprimido. O guarda-corpo do passadiço permite a fixação de equipamentos de iluminação específicos para fotografia ou mesmo exposição das obras. A escada de vidro faz com que a luz natural atinja o interior do espaço de trabalho de forma difusa e controlada.

O nível superior, de onde se descortina uma ampla vista sobre o vale do Rio Pinheiros, foi destinado à residência. O espaço deste nível é composto por dois blocos, estar e dormitório. Tanto um como outro tem a face oeste protegida pela cortina de concreto, configurando uma varanda, onde uma abertura horizontal enquadra a vista rasante sobre o vale. As áreas de apoio (escada, cozinha e banheiro) concentram-se na divisa leste.

Uma segunda construção ao fundo do lote, onde estão localizados um pequeno refeitório no térreo e um apartamento duplex para hóspedes (totalmente independente), completa o programa. Entre estas duas construções, ligadas por uma ponte metálica, configura-se um pátio que funciona como extensão do espaço de trabalho ou como espaço de lazer.