liceu francês em brasília

ficha técnica

concurso internacional
projeto finalista

arquitetura brasil cristiane muniz, fábio valentim, fernanda barbara e fernando viégas (autores) ana carolina neute, ana paula de castro, carolina klocker, fabiana cyon, gabriela r. gurgel, miguel felipe muralha, roberto galvão junior e sílio almeida (colaboradores)
arquitetura frança atelier d’architectes segond guyon
estruturas cia de projetos
orçamento paulo patrício
instalações phe
climatização thermoplan engenharia térmica ltda.
Impermeabilização proassp assessoria e projetos ltda.
luminotecnia reka iluminação, ricardo heder
paisagismo soma arquitetos
caixilhos paulo duarte consultores
conforto ambiental ambiental consultoria
automação predial bettoni automação
cozinha industriais nucleora

O novo Liceu Francês François Mitterrand apresenta-se exteriormente como um volume íntegro, que se espraia longitudinalmente pelo sítio. Um volume horizontal metálico pousado sobre esse promontório conforma em sua projeção a entrada da escola. O conjunto é mediado com a rua por uma alameda de árvores em toda a extensão do lote. É nessa alameda que se localiza o estacionamento para os pais dos alunos.

A nova escola, que se mostra como um grande volume íntegro, internamente é conformada por diversos pátios, de características distintas, cuja comunicação é sempre garantida por varandas contínuas. Os pátios definem os recreios dos diversos ciclos, além de um espaço central com um amplo espelho d’água para onde se voltam refeitório e biblioteca.

A entrada da escola, também ela uma ampla varanda de acolhimento, divide-se em dois acessos principais, um para o ciclo primário e outro para o secundário. Uma seqüência de transparências possibilitada pelos salões do refeitório e da biblioteca, anuncia desde o exterior as atividades mais coletivas da escola. Esses dois grandes programas entremeados pelo jardim aquático - sombreado por uma pérgula - contribuem para formar um micro clima aprazível para a escola. A biblioteca se prolonga em uma outra varanda ao fundo, visualmente relacionada ao futuro horto florestal, que potencializa atividades de leitura e jogos ao ar livre. O laboratório e a sala de artes compartilham esse espaço, onde se pode explorar a mesma expansão das atividades.

Esse núcleo central que concentra também as escadarias, elevador, sanitários e áreas técnicas, define ainda os dois grandes pátios de convivência do primário e secundário. Pátios que, associados ao bloco central, definem o coração da escola. Os dois pátios têm a mesma conformação em sua relação com as áreas de convívio cobertas, mas adquirem características específicas, adaptando-se às especificidades de cada faixa etária. O pátio do secundário é mais amplo e, assim, permite o plantio de árvores de porte, importantes para dosar o sol do norte. O pátio do primário, embora menor, acomoda com tranqüilidade o número reduzido de alunos estipulado para essa faixa etária. Um terceiro pátio, ao fundo do edifício, limita uma área de recreação exclusiva para as crianças do maternal. O pátio do maternal pode ser acessado diretamente pelo exterior, caso se deseje um acesso independente para esse ciclo.

O espaço do Liceu busca o termo ideal entre a desejável continuidade dos espaços de convivência e o necessário isolamento que o uso cotidiano determina. De maneira análoga, o projeto buscou criar uma proporção ideal entre espaços ensolarados e sombreados, com grandes áreas de transição. Pode-se pensar nos espaços de circulação e convívio coberto do Liceu como uma sucessão de varandas. O tradicional espaço de transição exterior-interior que moldou a arquitetura colonial brasileira com tanta graça encontrou uma nova dimensão na arquitetura moderna. E particularmente em Brasília, os palácios de Oscar Niemeyer se fazem sobre a releitura das varandas tradicionais, numa série que culmina no Palácio do Itamaraty, onde a grande varanda de cobertura, espaço único, é o grande salão de recepção.

A área administrativa está concentrada num único bloco ao longo do pátio do primário. No lado oposto, estão agrupados áreas para docentes e reprografia.

As crianças do maternal ficam acomodadas no térreo do prédio. O saguão de acesso (hall d’accueil) se abre como uma varanda que separa o recreio do elementar das salas de aula do maternal, com o resguardo de um pequeno desnível de oitenta centímetros. Cada sala possui um sanitário e um espaço de transição pensado com vestiário das crianças. As salas se abrem para outra varanda voltada ao sul que se estende, por sua vez, ao pátio de recreação exclusivo para esse ciclo. Um local de escala controlada e protegido do sol excessivo.

A implantação da escola buscou solucionar a convivência adequada entre os espaços de recreação e os espaços de sala de aula, assim o espaço de recreação de um ciclo nunca está voltado para salas de outros ciclos, evitando problemas de ruído e dispersão nas áreas pedagógicas. O auditório e a área esportiva foram locados na porção norte do terreno, gerando uma setorização de usos bastante clara no projeto.

As salas de aula do ciclo elementar, colégio e liceu estão agrupadas no segundo andar, protegidas, como foi dito, da dinâmica dos pátios de recreação. Embora existam divisões físicas entre as áreas do primário e do secundário, o andar superior evita a conformação de corredores estanques com o uso de varandas internas (sob o pergolado) e da expansão para o teto jardim. Todas as salas de aula se voltam para o exterior, e são também protegidas da insolação e da luminosidade excessiva de Brasília. As salas voltadas para norte e sul são protegidas por chapa metálica perfurada, enquanto as voltadas para leste e oeste possuem varandas e persianas fixas metálicas.

A ventilação das salas de aula é cruzada e utiliza os corredores internos como plenos de ventilação. Daí sua relação com o jardim aquático, importante para rebaixar a temperatura do ar e garantir sua umidificação.
Os armários individuais dos alunos estão embutidos nas espessuras das paredes das salas de aula, e essa mesma espessura permite acomodar atenuadores de ruído que garantem a ventilação cruzada sem irradiar o ruído interno das salas pelos corredores.

As varandas no andar superior geram espaços de convívio ao redor do jardim aquático, e serão utilizadas sobretudo no meses quentes e secos. As salas de grupos podem se comunicar diretamente com essas varandas.
O uso da cobertura do bloco térreo como área de convívio amplia significativamente os espaços livres, aqui com caráter bem distinto. Importam aqui as vistas inesperadas e distantes sobre o lago Paranoá e sobre o futuro horto florestal de Brasília.

No cinqüentenário da cidade de Brasília, o novo Liceu Francês poderá ser uma referência significativa na cidade que se tornou famosa pela qualidade de sua arquitetura.