café estação ciência

ficha técnica

local lapa, são paulo
projeto 2004-2008
arquitetura cristiane muniz, fábio valentim, fernanda barbara e fernando viégas (autores) ana paula de castro, gabriela gurgel, jimmy liendo, josé carlos silveira junior, luis eduardo menezes, maria cristina motta, sílio de almeida (colaboradores)
sondagem rimidalu fundações e topografia
estrutura e fundações stec engenharia
instalações hidráulicas nestor caiuby
instalações elétricas pascoal d´aprile
cozinha industrial nucleora
luminotecnia ricardo heder
construção fina engenharia
coordenação estação ciência francisco medeiros (in memoriam) e maria alice gonzales
coordenação coesf valmir do val
fotografias bebete viégas

O bairro da Lapa se caracteriza pela antiga ocupação industrial servida pela Santos-Jundiaí. Próximo ao projeto está o Mercado Municipal da Lapa, o Sesc Pompéia, e exatamente contíguo, o terminal de ônibus da Lapa e a estação de trens da CPTM.
A Estação Ciência é um centro de difusão científica, fundada pelo CNPq em 1987, e integrada à USP desde 1990. Uma grande área expositiva, voltada para estudantes, ocupa um galpão construído no início do século XX que abrigava uma tecelagem. A fábrica possuía ramais ferroviários internos e plataformas de 140 metros associadas aos edifícios, para entrada e saída de insumos. O conjunto, que está em estudo para tombamento pelos órgãos de patrimônio histórico, ainda abriga um segundo galpão paralelo que funciona como centro de atividades destinadas a portadores de necessidades especiais. Entre as duas construções de tijolo existe um espaço aberto, com piso de paralelepípedos de granito e árvores, onde os trens chegavam.
Diante da necessidade de um novo café, a proposta foi implantá-lo no mesmo nível da plataforma coberta, local de entrada e circulação dos visitantes. A qualidade dessa paisagem interna definiu o partido de uma nova construção leve, cuja proporção respeitasse e, ao mesmo tempo, procurasse ressaltar a delicadeza do lugar.
A estratégia de obra foi evitar ao máximo a interferência no existente, assim optou-se por uma estrutura metálica independente, com 17 metros de comprimento por 3,40 metros de largura e pé direito de 2,40 metros. Somente dois blocos de fundação afloram para apoiar diretamente a nova estrutura suspensa. Uma viga central de cobertura pendura outra de piso, e os planos do chão e teto ficam transversalmente em balanço. Os vedos foram especificados para evitar sobrecargas e deformações: madeira, vidro e brises metálicos.
De dia a transparência a partir do espaço interno é total e o volume se torna opaco para o exterior, à noite tudo se inverte. Os painéis de vidro deslizam para promover o ingresso amplo através da plataforma e a ventilação natural cruzada. Os brises pivotam para permitir a fácil limpeza dos vidros. O espaço interno é organizado pelo próprio balcão de atendimento, única peça fixa, que abriga todas as instalações e equipamentos necessários ao funcionamento do café.