Edifício Huma Itaim

ficha técnica

local são paulo, sp
projeto 2012
arquitetura cristiane muniz, fábio valentim, fernanda barbara, fernando viégas (autores) ana julia chiozza, carlos faccio, eduardo martorelli, julia jabur zemella, otávio filho, pedro domingues silva, marie lartigue (colaboradores)
área do terreno 1184,95 m²
área construída 6943,92 m²
desenvolvimento imobiliário huma
estrutura edatec
instalações soeng
luminotecnia studio IX
paisagismo sergio santana
interiores triplex arquitetura
comunicação visual nitsche
climatização green solution
acústica akkerman
impermeabilização proiso
esquadrias arqmate
tratamento de águas cinzas acqua brasilis
fundações apoio apf
vedações paula vianna
piscinas equipagua
serralheria vmc new
imagens em preto e branco neorama

O bairro do Itaim, em sua porção próxima à Avenida Faria Lima, se encontra em profunda transformação. A antiga ocupação de pequenos sobrados está sendo substituída por altas torres sem a devida adequação de infraestrutura. O projeto busca se inserir neste contexto como forma de mediação entre distintos tempos. O terreno com mais de 1000 m2 possui uma localização especial, pois abre para três ruas, ou seja, incorpora duas esquinas. O único vizinho é uma nova torre residencial de mais de vinte andares.
O edifício proposto, com setenta metros de altura, se aproxima em escala da construção ao lado e se implanta recuado das esquinas, porém, no térreo, configura uma praça pública que liga as três frentes, estabelecendo continuidade com os passeios do bairro. A praça, metade em sombra, outra em sol, é animada por café, jardins, bancos e uma linha d'água. Novo padrão de urbanização, desejável numa cidade cujos espaços públicos são destratados e limitados. Poderia ser uma regra.
As atividades coletivas estão valorizadas no projeto. São distribuídas verticalmente, criando uma comunicação direta com a cidade.
Acima da praça, a 5,40m da rua, propôs-se um andar quase todo livre, com um grande jardim e uma horta para os moradores. A torre residencial nasce daí e distribui ao longo dos pisos os demais usos coletivos. No sexto andar, voltado para a rua comercial de maior fluxo, fica a academia de ginástica com duplo pé direito. Parece interessante que se estabeleça uma relação visual entre quem passa na rua e quem está acima, identificando a construção com usos diversos. No décimo oitavo piso se localiza um salão de uso comum, também com dupla altura. Espaço para reuniões, a 55 metros de altura, conectado com o restante da cidade. À distância, visto desde muitos pontos da metrópole, percebe-se que acontece uma festa lá no alto. Por fim, piscina e sauna foram para a cobertura, no topo, onde há mais sol, céu e vistas.
As plantas dos andares de apartamentos visam possibilitar flexibilidade para distintas configurações de unidades residenciais, previamente desenhadas. Apartamentos simples pequenos, duplex um pouco maiores, e suas junções horizontais, ou seja, um simples com um duplex, ou mesmo, dois simples. Com isso, é possível acomodar famílias de diversos tamanhos.
Para a face oeste, onde está o vizinho mais alto, implantou-se a torre de circulação. As demais fachadas, que se abrem para as ruas, são varandas contínuas. Num clima como o de São Paulo, torna-se apropriado esse espaço intermediário entre interior e exterior. Protege do sol excessivo e permite ventilação permanente em dias chuvosos. Essa proteção é reforçada com painéis metálicos perfurados de correr, que configuram a fachada do edifício a partir de seu próprio movimento e da variação das alturas dos apartamentos.