Casa 239

ficha técnica

local são paulo, sp
projeto 2012
arquitetura cristiane muniz, fábio valentim, fernanda barbara, fernando viégas (autores) joaquin gak, henrique te winkel, marcos bresser, otávio filho, pedro ivo, rodrigo carvalho pereira (colaboradores)

construção adm. e resp. técnica eng. antonio nogueira
estrutura cia de projetos
instalações pessoa e zamaro
impermeabilização proassp
esquadrias e marcenaria marcenaria da fazenda
luminotecnia ricardo heder
paisagismo soma arquitetos
fotografia nelson kon

Uma casa desenhada para uma família determinada, mesmo que sempre se imagine o projeto adequado a qualquer pessoa. Mais feminina que masculina, a casa abraça uma jabuticabeira de cinco décadas, no centro do lote. Forma-se aí um pequeno pátio para onde se voltam quase todos os ambientes, varanda, sala de estar, jantar, cozinha, sala de estudos e um dormitório. As inflexões dos dois braços buscam vistas aproximadas da árvore e também vistas sobre si mesma, como duas pequenas casas que se olham. Os dormitórios das crianças recebem o sol da manhã, na mesma face em que uma dobra na parede de concreto define a entrada da casa. Também já estavam lá, nas bordas do terreno, outras árvores de grande porte, Tipuanas, Jerivás, Palmeiras e Pitangueiras. Para desfrutar dessa paisagem da copa das árvores, junto com as vistas da cidade, há uma piscina e um terraço que ocupam toda a cobertura.
O pátio, o volume recortado, envidraçado para o interior é a primeira unidade da Escola do Porto (e outros Sizas). O pátio desejaria (o mais profundo desejo) ser Aalto (Muuratsalo). A piscina lembra, sem lembrar, a Villa Dall'ava e um pouco a cobertura da casa Millan. A circulação em ponte é a Maison La Roche, podendo aqui se voltar apenas para uma fresta, interna à casa. Quer lembrar também as casas do Artigas (a Baeta!). Mas o Artigas está sobretudo no desejo de acertar a escala dos espaços.
Os caixilhos são irregulares, com grandes superfícies em madeira como na Maison Jaoul, querem ser uma grelha, que faz a mediação entre o espaço interno e externo, como na casa Curutchet. Os montantes são largos e altos, como fez Louis Kahn (Esherick House). Lá os pés direitos são duplos, o caixilho é único, aqui o caixilho busca de um outro modo a unidade vertical.
A sala de jantar, aberta para todos os lados, vem da memória das pequenas casas do Breuer no Cape Cod.
O espírito deseja ser da casa dos Eames e do Sérgio Fernandes em Caminha.
São as casas que nos habitam.