renova sp

ficha técnica

concurso público nacional

1º lugar na área oratório 1

local são paulo, sp
data do início do projeto 2011
arquitetura cristiane muniz, fábio valentim, fernanda barbara e fernando viégas (autores) ana paula de castro, carolina klocker, eduardo martorelli, enk te winkel, igor cortinove, marta onofre (colaboradores)
drenagem hidrostudio


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oratório 1
tiquatira 2

ORATÓRIO

O Ribeirão do Oratório, afluente do Rio Tamanduateí, com aproximadamente 11 km, nasce em Mauá e está na divisa sudeste do município de São Paulo com Santo André e Mauá. Atualmente poluído, suas margens foram amplamente ocupadas por habitações precárias e algumas pequenas indústrias que ainda hoje sofrem com as cheias do rio.
A extensa área de intervenção se localiza numa faixa entre o Ribeirão do Oratório e a Avenida Sapopemba, que está implantada 80 metros acima da várzea do rio. Há aqui dezenas de afluentes do Oratório e topografia muito acentuada. As matas ciliares ao longo dos córregos foram quase totalmente removidas, e a ocupação horizontal, por pequenas casas ou favelas, caracteriza a região. Diversos equipamentos públicos estão presentes, tais como creches, escolas de 1º e 2º graus, unidades de saúde, o CEU Rosa da China e uma recém inaugurada Oficina Cultural. Por se localizar junto de limites municipais, a dinâmica de fluxos aos serviços e equipamentos mescla diariamente os moradores das três cidades.
A urgência em rever a forma de ocupação de áreas com alta declividade e as margens dos rios, aliada a criação e qualificação de espaços públicos, norteou o trabalho.
Nesta proposta toda a população residente nas áreas consideradas de risco deverá ser removida para áreas adjacentes, em novas habitações, e as favelas remanescentes serão urbanizadas.
A proximidade das cabeceiras dos córregos e o tamanho reduzido das micro bacias viabilizam a limpeza da água. As nascentes dos rios deverão ser densamente arborizadas, com a catalogação da rede de esgoto dos domicílios, para promover a interligação aos troncos coletores existentes neste trecho. Assim, os pequenos córregos poderão se transformar em parques lineares com tratamento paisagístico, de lazer e água limpa.
Como estes córregos contribuem para as cheias do Ribeirão do Oratório, a partir da estrutura hídrica da região (perímetro que compreende três micro bacias, Córregos Morro Grande, da favela Santa Madalena e da Mata da Juta) foi proposto um sistema de retardamento das águas. A estratégia foi implantá-lo nas três bacias, contribuindo para controlar a vazão antes de chegar ao Oratório. Composto por lagoas de retardamento localizadas nas travessias, a água do córrego, nos períodos de muita chuva, ficaria represada até a normalização da vazão, saindo através de extravasores.
O Ribeirão do Oratório, mesmo com estas retenções, ainda seria um importante contribuinte das águas do Tamanduateí. Para controlar a sua vazão, foi construído um enorme piscinão entre as avenidas Luis Juliani e Antônio de França e Silva, porém as cheias ainda são frequentes por ali. A fim de retardar o volume de água que segue a jusante, reservatórios de águas pluviais seriam construídos ao longo do rio, dos dois lados, recebendo a água proveniente dos assentamentos vizinhos que passaria por tratamentos simples antes de chegar ao rio, tais como filtragem por brita ou por espécies vegetais. Para o desenvolvimento da proposta, contou-se com a consultoria de equipe especializada em projetos de drenagem urbana em São Paulo.
A calha do Oratório teria sua largura ampliada e seria retificada, para se constituir como Parque Linear e receber espaços livres qualificados, como áreas verdes e ciclovias, além de equipamentos públicos e quadras poliesportivas. Foi proposto um trecho de 120 metros de cobertura para o piscinão existente, afim de interligar os dois lados do rio através de espaços públicos. O campo de futebol existente seria o arranque desta plataforma. No futuro, caso a água do ribeirão venha a ser limpa, o nível de piso do reservatório poderia se configurar como área de lazer. Caso esta condição não seja possível, como a área é muito grande, poderia ser inteiramente coberta, gerando um enorme espaço para lazer. Equipamentos específicos (três creches, duas EMEIS, um Telecentro e um Hospital da USP), mencionados no Plano Regional, poderiam se localizar neste trecho do parque, junto das vias de conexão com a avenida Sapopemba.
A semelhança entre as condições geográficas desse Parque e o Parque Adutora da Sabesp, localizados paralelamente um ao outro, com a Avenida Sapopemba no divisor de águas, indica a possibilidade de interligações transversais entre eles. Imaginaram-se dois sistemas de ciclovias, uma em cada parque (no parque da adutora já existe) conectados com o eixo de transportes implantado na avenida de cumeeira.
Lá está prevista uma linha de monotrilho elevado no canteiro central, em obras pelo Metrô, que conectará o centro da cidade à zona leste, num eixo de 30 quilômetros de extensão. Há três estações próximas ao perímetro de intervenção, uma delas intermodal, junto do Terminal Sapopemba\ Teotônio Villela, da SPTrans. A articulação destas paradas com as avenidas transversais indica linhas de ligação da parte alta com a parte baixa da região, através de ruas existentes.
No eixo da Avenida Oratório, paralelo à várzea do ribeirão, está em funcionamento o sistema de trólebus da EMTU, que conecta São Mateus, Santo André e São Bernardo ao terminal intermunicipal do Jabaquara.
Estas vias transversais deveriam receber tratamento paisagístico como arborização específica, iluminação adequada, enterramento da fiação e padronização dos passeios públicos.
O desenvolvimento do plano aqui apresentado para remoção e transferência da população das favelas prevê a realização de procedimentos geológicos específicos para cada caso, em função das altas declividades e possíveis aterros realizados antes das ocupações. Com isso poder-se-á avaliar se alguns topos de morro terão de ser escavados para reduzir os aterros, e comportar de forma segura as novas ocupações.
Novos blocos habitacionais foram pensados para abrigar as famílias removidas, sempre próximos às antigas casas, com acesso direto da rua, em locais mais altos de acordo com a topografia, próximos aos novos parques e equipamentos propostos. Novas ruas, paralelas ao Ribeirão do Oratório, foram pensadas para estabelecer uma nova frente para o curso d´água, com espaços livres qualificados e novas travessias.

TIQUATIRA

A extensa área livre que acompanha a Av. Águia de Haia apresenta grande potencial para se tornar um parque urbano com alcance para toda a região, dada sua proximidade com estações de ônibus e metrô e a forte presença de ZEIS no entorno. O córrego Ponte Rasa, que atravessa toda a área, está poluído e sem tratamento adequado das margens, com áreas de alagamento e ocupação informal ao longo do curso. Parte significativa da área livre contígua ao córrego pertence hoje à Petrobrás, delimitando uma zona de proteção de um oleoduto, fator que limitou outras ocupações. Duas favelas ocupam hoje a região, a Favela Agreste de Tabaiana, que de acordo com as diretrizes da SEHAB, será integralmente removida, e a Favela FATEC, que terá remoção em torno de 20% das unidades habitacionais.
A proximidade da cabeceira do córrego e o tamanho reduzido da microbacia viabilizam a limpeza da água e abrem possibilidades interessantes para o desenho desse futuro parque. Para o desenvolvimento da proposta, contou-se com a consultoria de equipe especializada em projetos de drenagem urbana em São Paulo.
A partir da retificação do traçado do córrego e da construção do leito em concreto pré-moldado, as margens do córrego serão limitadas por muros de gabião, definindo porções alagáveis do parque para evitar as recorrentes alagamentos da região, especialmente nas áreas hoje ocupadas por favelas. Além dessa função ligada ao sistema de drenagem, essas áreas rebaixadas podem ter usos de lazer. A revisão rede de esgoto dessa pequena microbacia, devidamente conectada ao tronco coletor (indicado na implantação) e a nova rede de microdrenagem garantem águas limpas no Córrego da Ponte Rasa. Assim, campos esportivos e jardins arborizados (com plantio de jenipapos e ingás ou outras espécies resistentes ao alagamento), podem estar integralmente contectadas às áreas mais elevadas (arborizadas ou pavimentadas), conformando um extenso parque linear.
As moradias que hoje estão mais próximos do córrego serão prioritários na ação de remoção na Favela FATEC. Optou-se por remover uma estreita faixa da favela que está no alinhamento da calçada da Av. Águia de Haia: são residências "debruçadas" na avenida de grande movimento. Aí foi implantado um edifício de cinco pavimentos, com o térreo livre, que garante um afastamento da favela em relação a via, sem escondê-la ou oprimi-la. O novo edifício permite abrigar no local parte da população que precisou ser removida, cerca de cinquenta famílias. As demais serão transferidas para as áreas de provisão, ou, após a devida análise e projeto da as ZEIS do entorno, transferidas para áreas vizinhas.
Outras ações fundamentais para reorganizar a comunidade incluem a abertura de uma rua que alcance os fundos da favela, abertura das vielas que terminam em becos, abertura de pequenos vazios nos miolos mais densos e insalubres e a construção de uma pequena praça aproveitando a encosta arborizada. Esse miolo da favela deixa de ser um fundo, e ganha uma frente para a cidade, para espaços públicos qualificados, buscando ao mesmo tempo evitar uma nova expansão da favela sobre a borda do córrego.
A proposta demonstra flexibilidade indicando a possibilidade de, num cenário futuro, remover integralmente a favela e ocupar também a frente da quadra esportiva, garantindo a qualificação da Av. Águia de Haia em toda essa faixa, com comércio no térreo e habitação nos demais pavimentos, na tentativa de definir um padrão de urbanização a esse importante eixo estruturador da região (característica que já se observa num longo trecho ao sul dessa gleba).
O desenvolvimento do projeto garante, após analise da equipe, que o projeto de urbanização e infra-estrutura de Tiquatira, bem como os projetos para as 3 áreas de provisão atendem à previsão orçamentária definida pelo concurso.

Terrenos de Provisão

O ponto de partida para o desenho dos conjuntos das áreas de provisão foi o adensamento e a otimização do uso da terra, sempre se aproximando do limite legal do coeficiente de aproveitamento.
O uso de tipologias diversas (torres, blocos e lâminas) e distintos sistemas de circulação permitiram o enfrentamento de todos os lotes de forma equilibrada e eficiente. A maior parte das unidades independe do uso do elevador, e quando este equipamento é empregado, busca-se aumentar o potencial de seu uso. Essa associação de tipologias de edifícios permite construir espaços com identidade, referência e qualidade. Nesse sentido, os espaços livres são cuidadosamente desenhados e as unidades habitacionais equipadas com áreas verdes, passeios, bancos, brinquedos, tanques de areia, quadras esportivas e pistas para bicicleta, skate e patinação. A articulação entre a rua e os espaços públicos do entorno é uma das premissas dos projetos, com desenhos de calçadas amplas e áreas comerciais voltadas ao passeio público.
As unidades organizam-se sempre ao redor da sala, espaço que atravessa a planta e garante duas faces de insolação e ventilação cruzada. O uso de balcões permite atenuar o ganho de calor no verão, proteger os caixilhos e ampliar o espaço reduzido das unidades. Algumas unidades têm áreas de serviço associadas aos balcões, recuperando uma idéia de quintal. A modulação das unidades busca facilitar processos industrializados de construção, e foi feita para permitir adaptações para unidades com "desenho universal".

Área de Provisão 1 - Nicola Pietro, Campo Limpo

O conjunto resultou da associação de lâmina, bloco e torre, moldando uma identidade forte também para cada um dos espaços livres, conformados ora como rua, ora como pátio, ora como jardim. A frente do conjunto para a Estrada de Itapecerica, ocupada no térreo por lojas, teve a calçada ampliada para acomodar árvores de porte e vagas de estacionamento. As tipologias do bloco (térreo mais quatro andares) e da lâmina (sete andares com acesso por nível intermediário) prescindem de elevadores, o que significa cerca de 60% das unidades habitacionais.

Área de Provisão 2 - André de Almeida, São Mateus

Imensa gleba que comportará uma população de pouco mais de oitocentas famílias, desenhada a partir de uma nova rua, que percorre a extensão total do conjunto, e da abertura de visuais sobre a encosta. A frente comercial, com 12 lojas, faz a mediação com a cidade, e os edifícios se desenvolvem sobre a rua interna.
Nesse conjunto todas as unidades são acessíveis por escadas e elevadores, o que resultou em blocos mais verticalizados. Em contrapartida, as áreas livres são generosas e acomodam equipamentos e quadras esportivas, áreas de lazer e um amplo estacionamento linear ao longo da via interna.

Área de Provisão 3 - Antonio Sampaio, Tucuruvi

Conjunto definido por uma lâmina de cinco e duas torres de quatorze andares, totalizando 180 unidades. A lâmina, articulada em três blocos, define uma frente comercial e um alargamento do passeio para a Av. Antonio Paiva Sampaio, desenhando também a esquina. O uso de circulação horizontal nesse edifício baixo otimiza a eventual instalação de elevadores e alterna a face das habitações entre a rua e a área verde interna do terreno. As torres estão implantadas na parte baixa do terreno, e podem ser acessadas tanto pela avenida (numa cota intermediária) como pela Rua Cristovão Dantas, que contorna o lote.